
Levar a própria refeição para o trabalho ou para a faculdade é uma alternativa econômica e pode contribuir para uma alimentação mais saudável. No entanto, cuidados inadequados durante o preparo, o armazenamento, o transporte e o aquecimento dos alimentos podem favorecer a multiplicação de bactérias e provocar intoxicações alimentares. Para orientar a população, o Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe (ITPS), órgão vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), destaca medidas importantes para garantir a segurança das marmitas.
De acordo com a microbiologista do ITPS e doutora em Biotecnologia, Rejane Batista, o controle da temperatura é um dos principais fatores para evitar a proliferação de microrganismos nos alimentos. “Depois de preparados, os alimentos perecíveis, não devem permanecer por muito tempo em temperatura ambiente. Quanto mais tempo ficam fora da refrigeração, maiores são as condições para que determinadas bactérias se multipliquem e possam causar doenças”, explica.
Para alimentos cozidos como feijão, arroz, macarrão, proteínas e legumes, a recomendação é refrigerar em até duas horas após o preparo. Quando a temperatura ambiente ultrapassa 32 °C, esse prazo diminui para uma hora. Por isso, deixar a marmita sobre a mesa ou no fogão durante várias horas antes de guardá-la na geladeira é um hábito que deve ser evitado. A geladeira deve ser mantida em temperatura adequada para a conservação dos alimentos perecíveis, preferencialmente abaixo de 5 °C, com atenção ao tempo total em que a refeição permanece fora da refrigeração.
Transporte e armazenamento exigem atenção
O cuidado com a temperatura também deve continuar durante o deslocamento até o trabalho ou a faculdade. Transportar a marmita diretamente na mochila ou em sacolas comuns pode comprometer a conservação da refeição, principalmente em trajetos longos ou dias quentes. O ideal é utilizar uma bolsa térmica adequada e, quando necessário, incluir placas de gelo reutilizáveis para manter a temperatura baixa. Ao chegar ao destino, o alimento deve ser colocado imediatamente na geladeira.
Outro cuidado importante é evitar tampar a comida enquanto ela ainda libera muito vapor e, em seguida, colocá-la diretamente na geladeira. Para facilitar o resfriamento, a orientação é dividir grandes quantidades em recipientes menores e rasos, evitando deixar os alimentos por tempo prolongado em temperatura ambiente.
“É importante organizar o armazenamento para que o alimento esfrie de maneira adequada e seja refrigerado dentro do tempo recomendado. Dividir a refeição em porções menores ajuda nesse processo e contribui para reduzir o período em que ela permanece em temperaturas favoráveis à multiplicação de microrganismos”, orienta Rejane.
Atenção aos recipientes e ao aquecimento
A escolha do recipiente utilizado para armazenar e aquecer a marmita também merece atenção. Recipientes de vidro próprios para uso alimentar e adequados ao micro-ondas são uma opção prática, pois facilitam a higienização e apresentam boa estabilidade nas condições de uso previstas pelo fabricante.
No caso dos recipientes plásticos, é necessário verificar se o fabricante indica que podem ser utilizados no micro-ondas e seguir as instruções de uso. Potes riscados, deformados ou desgastados devem ser substituídos, pois podem dificultar a limpeza adequada. A indicação 'BPA Free' (produto isento de Bisfenol A), isoladamente, não significa que o recipiente esteja liberado para qualquer condição de aquecimento.
A microbiologista alerta também que aquecer uma refeição não torna seguro um alimento que foi armazenado de maneira inadequada. “O aquecimento pode destruir muitos microrganismos, mas algumas bactérias produzem toxinas que resistem ao calor. Por isso, não adianta deixar a marmita por horas fora da geladeira e acreditar que o micro-ondas vai eliminar todos os riscos”, ressalta.
A orientação é descartar alimentos perecíveis que tenham permanecido fora da refrigeração por tempo superior ao recomendado, mesmo que apresentem cheiro, sabor e aparência normais. Esses sinais não são suficientes para confirmar que a refeição está própria para consumo. No momento do consumo, a refeição deve ser reaquecida de maneira uniforme, evitando pontos frios. Quando possível, recomenda-se verificar a temperatura interna.
Evite a contaminação cruzada
A separação entre alimentos crus e cozidos é outra medida essencial para prevenir doenças. Saladas, frutas e outros alimentos consumidos crus devem ser mantidos separados de carnes e preparações cozidas, especialmente quando há contato direto entre eles. Utensílios utilizados no preparo de alimentos crus também precisam ser higienizados antes de serem usados em alimentos prontos.
Uma alternativa é transportar saladas em recipientes separados, mantendo os ingredientes protegidos até o momento do consumo. No caso das saladas de pote, o molho pode ser colocado no fundo, com as folhas por cima, para reduzir o contato antecipado e preservar a textura dos vegetais. Independentemente da montagem, as saladas devem ser preparadas com ingredientes devidamente higienizados, armazenadas em recipientes limpos e mantidas refrigeradas até o consumo.
Segundo a microbiologista, a prevenção depende da adoção de cuidados em todas as etapas, desde o preparo até o consumo. “A higiene dos utensílios, a separação dos alimentos e, principalmente, o controle do tempo e da temperatura são medidas simples que fazem diferença na segurança da refeição. É importante lembrar que nem sempre um alimento contaminado apresenta alterações perceptíveis”, conclui.
Serviço
Os serviços do ITPS podem ser solicitados presencialmente no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), localizado na Rua Vila Cristina, bairro 13 de Julho, em Aracaju; pelos telefones (79) 3198-8811 e (79) 99191-3042; ou pelo e-mail [email protected] .



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